Olá, 2026.
volta dos textos no Blabs, trava pós hiatus, considerações de uma ex-puérpera e o que vem por aí.
Esse é o terceiro rascunho que escrevo após ter me comprometido (um compromisso privado, agora tornado público) a voltar a publicar textos.
As notas se tornaram minhas fiéis companheiras neste período de puérpera, mas me conhecendo, sei que as uso como muletas: escrevo num sopro, rapidamente, e me permito não revisar nem transpor a escrita de tão poucos caracteres para algo mais ordenado e coeso. O meu cérebro, que a todo o momento é interrompido e distraído, funciona bem assim. Mas nem todos os assuntos merecem ser tratados tão levianamente.
Com publicações, sinto que o tratamento deve ser mais sério, profundo.
E é justamente por essa sensação de que não tenho tempo, ou o foco necessário para revisar um texto apropriadamente, que deixo muita coisa nos meus rascunhos. Muita coisa mesmo.
Em certa medida, essa autocobrança exacerbada me impede de fazer o que mais amo: iniciar conversas, compartilhar impressões e entender como o outro vê o mundo.
Principalmente depois de muito tempo sem conseguir publicar nada, e exposta a tantos escritores e colegas talentosos nessa micro-bolha que é o meu Substack, sinto que a “trava” dos últimos meses se deu muito por uma síndrome do impostor. “Será que eu posso mesmo falar (escrever) do meu jeito de assuntos que estão na minha cabeça noite e dia?”
Então, para este ano tenho um mote: melhor feito, do que ao vento.
Você, que acompanha meus textos há algum tempo, saiba que aprecio muito o carinho. Para quem chegou agora, espero que se encontrem aqui, de preferência com um cafezinho.
Eu não tenho problema algum em ser vista como burrinha, ou até mesmo simplória. Quer dizer, já tive, mas agora estou fazendo um esforço deliberado para colocar minhas ideias no mundo — ainda que seja categorizada como uma “bobinha”.
Nas próximas semanas, pretendo trazer minhas impressões desses assuntos abaixo:
o filme brasileiro Medusa (2001);
o livro O Quinze, de Rachel de Queiroz;
Sigrid Undset e a cosmovisão dos autores católicos;
a vida de Ruth Pakaluk, Serva de Deus e figura mui importante para o movimento pró-vida estadunidense;
Kristin Lavransdatter, sua história e como nós mulheres PRECISAMOS de modelos.
No meio disso, é claro, existirão considerações sobre a minha vida, maternidade, estudos de gênero e muitas coisas juntas e misturadas.
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A parte “vida real” deste texto: tive que sincronizar uma soneca dos 3 (três!!!!!!) meninos para conseguir trazer uma atualização pequena e mínima, além de tentar organizar os assuntos a serem tratados aqui.
O esforço hercúleo que está sendo ser mãe de três meninos ainda não consigo colocar em palavras, mas tem sido uma experiência. Ao mesmo tempo que me custa muito (trocar fraldas seguidas, levantar cedinho, descer ao parquinho pelo menos uma vez por dia, sempre ter um grudinho me acompanhando), também me renova o coração.
Não me imaginava sendo mãe nas 3 circunstâncias em que fui, então de fato é uma grata surpresa ver que, aos trancos e barrancos, vou dando conta do recado. A responsabilidade é grande também, e nem pela quantidade de vidinhas sob minhas asas: cada alminha que nasceu dentro de mim merece ter sua devida atenção e formação. Rezo mesmo para Deus, pedindo que me ajude a conduzi-los, cada um para seu caminho.
Acredito que a maioria das mães querem o bem dos seus filhos, ainda que não saibam como fazer essa coisa da maternidade funcionar, ou não tenham os meios necessários para tal. A minoria, trataremos em algum outro momento (tenho um rascunho escrito à mão de Janeiro que vai me dar um trabalho, mas que quero trazer para cá).
Algo que um amigo me disse, muitos anos atrás, ainda ressoa muito comigo: “Deus ouve as preces sinceras de uma mãe que chora pelos seus filhos” (ou algo nesse sentido, foi um bom tempo atrás). Desde então eu, que na época me afligia por não conseguir educar meu primogênito em todos os âmbitos que ele precisava, pude me acalmar com entregar minhas situações — e suas peculiaridades — para Deus. Continuo assim, fazendo o que consigo, pedindo ajuda para o que ainda não posso e, principalmente, chorando minhas pitangas para um Pai que é tão afetuoso quanto misericordioso.
Em muitos momentos ser mãe é muito difícil, essa é a verdade. Seja na entrega física que precisamos ofertar ao recém nascido, seja nas complexidades psicológicas que vêm com o passar dos anos de um filho, é preciso ter muito jogo de cintura e muita presença para lidar com tamanha responsabilidade. A grande questão que percebo é que a presença cada vez mais está sendo colocada em xeque, e não por coincidência.
Nos acostumamos com comunicações assíncronas, a fazer cada coisa no melhor momento para si mesmo, a nos dessensibilizar com tantas desgraças noticiadas e a usar nossos dispositivos eletrônicos de forma a nos separar ainda mais das nossas famílias e amigos.
Precisarei elaborar uma publicação apenas sobre este ponto, no entanto, porque ainda não consigo desenvolver o quanto a presença é o que verdadeiramente une e alimenta uma família, mas tenho essa intuição (gritanto em caps lock na minha cabeça, mais forte a cada dia que passa). Se você tiver algum insight, ou apenas quiser conversar comigo em relação a isto, serei toda ouvidos (ou olhos, caso prefira escrever).



Quero muito acompanhar suas impressões sobre os tópicos que comentou (vou fazer um compromisso comigo de vir aqui mais vezes até virar rotina)
“Será que eu posso mesmo falar (escrever) do meu jeito de assuntos que estão na minha cabeça noite e dia?”
Meu Deus, mas por favor! Sempre que puder, dê um oi por aqui. Leio tudo, porque você é sincera. É a inteligência mais inteligente que há, além da outra, tradicional, que você tem de sobra, sim.