Ode ao primogênito:
No dia das mães muito se fala de como somos guerreiras, como nos desdobramos em mil partes, como acolhemos e como todo o nosso sofrimento é por um Bem maior.
Hoje não quero falar de mim mesma em terceira pessoa, dos sacrifícios, das lágrimas, das preocupações ou das coisas boas.
Quero falar daquele Amor que só o primeiro filho nos faz perceber: o amor de criador por sua criatura.
Acompanhamos as batidas do coração, os chutes, o choro ao vir para este mundo, a fome insaciável, os olhos descobrindo o mundo, as mãozinhas tateando todo centímetro que alcançam, os primeiros sorrisos, gargalhadas, espirros…
Com aquele primeiro filho, adentramos um amor novo. Um que nunca nos será tirado, que até podemos escolher abandonar, mas um Amor que sempre estará ali — pois depois dele já não somos a mesma pessoa.
Com o primeiro, o amor é dilacerante. Como fomos capazes de viver até então? Como, meu Deus, eu vivia sem uma parte de mim andando por aí?
As preocupações são muitas, afinal, o primeiro é também cobaia. Será que a água tá muito quente? Será que ele tá com calor? Será que eu vou conseguir ser uma boa mãe?
Com o primeiro, vamos com a cara e a coragem. Nós, a nossa fragilidade e essa recém descoberta de que nunca mais estaremos sozinhas neste mundo.
Se o primeiro filho vem como uma avalanche, graças a Deus por isso! Afinal, a Morte trouxe a Ressureição, e um amor que salva. Deixemos que essa avalanche nos acerte, para que então o solo fique fértil e dê bons frutos.
Por fim, uma palavra especialmente para os primogênitos: vocês abrem caminhos nas suas famílias e também no mundo.
Nota da autora: feliz dia das mães! Um texto rascunhado e publicado enquanto o bebê mais novo não quer sair do meu colo.
